Alfredo Graça avisa: “Entre sábado e segunda a gota fria intensificará aguaceiros e trovoada no interior Norte e Centro"

Ao longo destes primeiros dias de outubro a influência de uma gota fria a oeste de Portugal continental conduzirá ao aumento da probabilidade de ocorrência de aguaceiros, por vezes fortes, trovoadas e possivelmente granizo. Saiba as zonas potencialmente mais expostas.

Nesta tarde de sexta-feira (2) o tempo mantém-se geralmente estável em Portugal continental, apesar dos períodos de céu muito nublado. Embora a estabilidade atmosférica seja dominante, alguns locais do interior Norte e Centro e da Região Sul já vão sendo condicionados por aguaceiros dispersos e possíveis trovoadas, cuja distribuição irregular é típica da precipitação de carácter convectivo.

Gota fria formar-se-á a oes-noroeste da Península Ibérica, eis como condicionará o tempo em Portugal continental

Entre as últimas horas de sábado (3) e durante o dia de domingo (4) prevê-se que a presença de ar frio em altitude permita a formação de uma gota fria a oes-noroeste da Península Ibérica, a primeira mais relevante deste outono e que determinará a evolução do estado do tempo no nosso país nos dias seguintes. Não obstante, a instabilidade - sob a forma de aguaceiros e trovoadas - surgirá ainda durante sábado (3).

O que é uma gota fria?
Também conhecida como depressão isolada em altitude, é originado a partir de uma 'língua' de ar frio que se desprende do jato polar e, que pode evoluir para uma circulação algo mais organizada, com um núcleo de ar frio, mais ou menos fechado, e normalmente a mais de 5000 metros de altitude.

Portanto, para sábado (3) prevê-se um céu novamente ‘povoado’ por muita nebulosidade, com os mapas da Meteored a anteciparem a ocorrência de aguaceiros, por vezes fortes e potencialmente acompanhados de trovoada. Não se descarta a possibilidade de parte da precipitação convectiva assumir a forma de granizo.

A precipitação intermitente tenderá a aparecer com mais frequência no interior Norte e Centro.
A precipitação intermitente tenderá a aparecer com mais frequência no interior Norte e Centro.

Embora já possa chover em certas zonas do país na madrugada e manhã, como por exemplo no Sotavento Algarvio e Baixo Alentejo, a instabilidade atmosférica será mais provável e frequente durante a tarde, em particular no interior. Nesta parte do país, a última atualização do modelo europeu antevê uma maior probabilidade de ocorrência de aguaceiros e trovoadas no interior Norte e Centro.

No domingo, 4 de outubro, a gota fria ganhará forma gradualmente. O movimento ciclónico do vento previsto a 9000 metros de altitude e gerado pela sua circulação já será especialmente visível nos mapas de segunda-feira, dia 5, a oeste de Portugal continental .
No domingo, 4 de outubro, a gota fria ganhará forma gradualmente. O movimento ciclónico do vento previsto a 9000 metros de altitude e gerado pela sua circulação já será especialmente visível nos mapas de segunda-feira, dia 5, a oeste de Portugal continental .

Já para domingo (4) espera-se outra fase de condições meteorológicas instáveis, novamente mais prováveis no interior do nosso país e durante a tarde. A complexidade inerente à natureza caótica de centros de baixas pressões como as gotas frias, essencialmente devido à trajetória altamente incerta que assumem, não permite avançar com detalhes muito concretos em relação à distribuição e intensidade dos fenómenos convectivos associados.

Neste mapa de previsão horária da densidade de raios às 17:00 de domingo, 4 de outubro, observa-se uma maior predisposição para a concentração de descargas elétricas atmosféricas no Centro e no Sul do país.
Neste mapa de previsão horária da densidade de raios às 17:00 de domingo, 4 de outubro, observa-se uma maior predisposição para a concentração de descargas elétricas atmosféricas no Centro e no Sul do país.

Deste modo, as projeções atualmente disponíveis nos mapas da Meteored apontam para uma maior probabilidade e frequência dos aguaceiros e trovoadas nas faixas do território entre Mondego e Tejo e entre Tejo e Sado, bem como no interior Norte e Centro no domingo, 4 de outubro.

A próxima semana começará com uma nova ‘leva’ de aguaceiros fortes, sobretudo nestas regiões do interior

A continuidade da gota fria a oeste de Portugal continental manterá presente a instabilidade em certas zonas do país no início da próxima semana, nomeadamente na segunda-feira, 5 de outubro e feriado da Implantação da República.

Assim, para segunda-feira (5) continua a prever-se uma jornada novamente dominada por períodos de céu muito nublado, com uma maior probabilidade e frequência de aguaceiros e trovoadas nas Regiões Norte e Centro e especialmente no interior das mesmas.

Nota importante para o leitor: Adicionalmente, é importante ainda que fique bem claro que não só não estará sempre a chover, como haverá uma alternância deste tipo de precipitação - extremamente irregular no espaço e no tempo e em intensidade - com períodos de céu nublado e boas abertas.

Embora a previsão ainda esteja sujeita a alterações significativas, agora mesmo os nossos mapas destacam as zonas montanhosas do Alto Minho e Alto Tâmega e Barroso, bem como vastas zonas da Beira Alta, Beira Baixa, Nordeste Transmontano e algumas áreas dos distritos de Vila Real e Viseu como aquelas onde os períodos de instabilidade apresentam uma probabilidade de ocorrência mais elevada na tarde de segunda-feira (5).

Ainda nesse dia, existe a possibilidade de diversas zonas do litoral também ficarem expostas ao impacto de fenómenos decorrentes da precipitação convectiva.

Neste momento o modelo ECMWF coloca Castelo Branco como o distrito onde poderão ser registados os acumulados de precipitação mais significativos até às 23:00 de segunda-feira, 5 de outubro.
Neste momento o modelo ECMWF coloca Castelo Branco como o distrito onde poderão ser registados os acumulados de precipitação mais significativos até às 23:00 de segunda-feira, 5 de outubro.

Tal como mencionado anteriormente pela Meteored Portugal, além da trajetória altamente incerta e irregular da gota fria, que não permite avançar com detalhes muito concretos quanto à localização exata dos fenómenos meteorológicos adversos decorrentes da sua influência, é importante ainda acrescentar que nas regiões do litoral de Portugal continental a frequência e impacto das células convectivas e trovoadas será substantivamente menor, o que não significa que seja impossível.