Agitação marítima adversa nos distritos de Coimbra, Leiria e Lisboa: vem aí um cavado que deixará ondas até 11 metros

A aproximação de um cavado ao Atlântico próximo da Península Ibérica deverá reforçar o vento sobre o oceano e aumentar a agitação marítima na sexta-feira, com ondas até 5 metros de altura significativa na costa ocidental e 11 metros de altura máxima nalguns setores.

A agitação marítima deverá aumentar ao longo da costa ocidental de Portugal na próxima sexta-feira, 6 de março, sobretudo entre os distritos de Coimbra, Leiria e Lisboa. Este agravamento do estado do mar estará associado à aproximação de um cavado — ou vale depressionário — no Atlântico próximo da Península Ibérica, uma configuração atmosférica que influencia a circulação do vento sobre o oceano.

Mapa de geopotencial a 500 hPa (cores) e pressão à superfície (linhas) previsto para sexta-feira, 6 de março. A presença de um cavado em altitude sobre a Península Ibérica reorganiza a circulação atmosférica no Atlântico oriental, reforçando o vento marítimo e favorecendo o aumento da agitação marítima ao largo da costa ocidental de Portugal.
Mapa de geopotencial a 500 hPa (cores) e pressão à superfície (linhas) previsto para sexta-feira, 6 de março. A presença de um cavado em altitude sobre a Península Ibérica reorganiza a circulação atmosférica no Atlântico oriental, reforçando o vento marítimo e favorecendo o aumento da agitação marítima ao largo da costa ocidental de Portugal.

Este tipo de estrutura corresponde a uma região alongada de geopotenciais mais baixos em altitude, frequentemente associada à presença de ar mais frio nas camadas médias da atmosfera. À medida que o cavado se aproxima da Península Ibérica, a circulação atmosférica reorganiza-se sobre o Atlântico oriental, favorecendo o reforço do vento marítimo.

Cavado em altitude reforça o vento no Atlântico

Quando um cavado se aproxima do território, tende a reforçar a circulação atmosférica nas regiões próximas da sua influência, intensificando o vento sobre o Atlântico oriental. Esse vento persistente transfere energia para a superfície do oceano, permitindo o crescimento das ondas que depois se propagam em direção à costa portuguesa.

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Os modelos indicam também a presença de um anticiclone relativamente intenso no Atlântico, com valores superiores a 1030 hPa, enquanto uma área de pressão mais baixa se estabelece sobre a Península Ibérica e o Mediterrâneo ocidental.

Este contraste gera um gradiente de pressão — a diferença entre zonas de pressão mais alta e mais baixa — que contribui para acelerar o vento sobre o oceano.

Mapa de previsão das rajadas de vento no Atlântico oriental para sexta-feira, 6 de março. O gradiente de pressão entre um anticiclone no Atlântico e uma área de pressão mais baixa sobre a Península Ibérica reforça o vento de noroeste junto à costa portuguesa, favorecendo a geração de ondulação no oceano.
Mapa de previsão das rajadas de vento no Atlântico oriental para sexta-feira, 6 de março. O gradiente de pressão entre um anticiclone no Atlântico e uma área de pressão mais baixa sobre a Península Ibérica reforça o vento de noroeste junto à costa portuguesa, favorecendo a geração de ondulação no oceano.

Quando o vento sopra de forma persistente sobre uma grande área do oceano — o chamado fetch — as ondas ganham energia e tornam-se mais altas.

A ondulação gerada no Atlântico propaga-se depois sob a forma de swell em direção à costa ocidental da Península Ibérica.

Ondas poderão atingir cerca de 5 metros de altura significativa e até 11 metros de altura máxima

De acordo com os cenários atuais, a altura significativa das ondas poderá atingir entre 4 e 5 metros durante sexta-feira ao largo da costa ocidental portuguesa, particularmente entre os distritos de Coimbra, Leiria e Lisboa.

Mapa de previsão da altura significativa das ondas no Atlântico oriental para sexta-feira, 6 de março. A ondulação gerada pelo vento persistente no oceano deverá propagar-se em direção à costa ocidental da Península Ibérica, podendo atingir cerca de 4 a 5 metros ao largo de Portugal.
Mapa de previsão da altura significativa das ondas no Atlântico oriental para sexta-feira, 6 de março. A ondulação gerada pelo vento persistente no oceano deverá propagar-se em direção à costa ocidental da Península Ibérica, podendo atingir cerca de 4 a 5 metros ao largo de Portugal.

Embora no Atlântico aberto os valores de ondulação possam ser superiores, parte dessa energia dissipa-se durante a propagação do swell em direção ao litoral. Ainda assim, em zonas costeiras mais expostas ao quadrante noroeste — como cabos, estruturas portuárias ou arribas voltadas ao mar — algumas ondas individuais poderão ultrapassar os valores médios previstos.

Alguns cenários indicam ainda que o cavado poderá evoluir para uma depressão isolada em altitude durante o fim de semana, podendo favorecer períodos de instabilidade e aguaceiros dispersos em várias regiões. Recomenda-se o acompanhamento das previsões.