A revolução do jato polar vai continuar: a toda a velocidade e a latitudes muito baixas, com estes efeitos em Portugal
Portugal está a atravessar um excecional período de chuva. A chegada quase incessante de tempestades e respetivas frentes atlânticas deixará precipitação generalizada nos próximos dias. Até quando durará esta situação?

Esta semana Portugal continental está a enfrentar diversos fenómenos meteorológicos adversos (chuva, neve, granizo, trovoada, vento e agitação marítima) devido à chegada de sucessivas tempestades atlânticas de grande impacto e respetivas frentes ou sistemas frontais associados.
A mais poderosa registou-se na madrugada passada de terça (27) para quarta (28) por causa de Kristin, que gerou impactos catastróficos na Região Centro do país, em particular no litoral (Leiria, Coimbra e outras zonas). De acordo com o IPMA, as rajadas mais fortes de quarta-feira (28) foram registadas no Cabo Carvoeiro (149 km/h) e em Monte Real (177 km/h), com este último dado a ser fornecido pela Força Aérea.
Pelo contrário, segundo os mapas do modelo europeu para o curto e médio prazo, o bloqueio de altas pressões entre a Groenlândia e a Escandinávia está para durar. Esta situação fará com que o jato polar continue a circular por latitudes mais baixas, encaminhando novas tempestades e frentes muito ativas até Portugal continental ou até perto do nosso país. Também chegarão com bastante frequência aos Açores. A Madeira 'escapará' na grande maioria das vezes.
O bloqueio anticiclónico nas latitudes altas evidencia sinais de persistência
O período extremamente húmido que o país está a atravessar é explicado pela persistência do já referido bloqueio anticiclónico nas latitudes altas, que ao servir de ‘escudo’ acaba por desviar as tempestades para latitudes mais meridionais. A questão impõe-se: até quando irá esta configuração sinóptica manter-se?

De momento, a curto e médio prazo, é pouco provável que as tendências se alterem muito, pelo que o bloqueio entre a Groenlândia e a Escandinávia se afigura bastante persistente, durando potencialmente várias semanas. A última atualização do modelo Europeu vislumbra a continuidade desta circulação pelo menos durante a primeira quinzena de fevereiro, o que permitiria a provável chegada de novas depressões e frentes associadas.
Para a segunda quinzena de fevereiro, a incerteza aumenta e os mapas contemplam vários cenários. Uns preveem a presença do anticiclone dos Açores mais próxima ao território do Continente; outros não excluem a chegada de mais massas de ar polar. No entanto, é importante salientar que, atualmente, não existe uma tendência particularmente bem definida.
A chuva continuará nos próximos dias e todos estes riscos exigem monitorização das autoridades
A chuva acumulada será muito significativa em várias zonas de Portugal (grosso modo Norte e Centro, em particular a norte do sistema montanhoso Montejunto-Estrela) e especialmente nas zonas mais expostas aos ventos de Oeste e Sudoeste, que transportam rios de humidade (ou rios atmosféricos). Na presente semana, o Minho, Douro Litoral e outras zonas do Norte e Centro estarão entre os locais mais chuvosos em terra firme do planeta.
Entre os vários riscos em perspetiva para os próximos dias está a combinação da precipitação abundante com o ar ameno e húmido de origem tropical marítima dos rios atmosféricos impulsionados pela circulação de Oeste até ao nosso país.

Isto poderá provocar o derretimento da neve acumulada nos cumes das principais montanhas portuguesas, que, por sua vez, em combinação com a chuva, contribuirá para um avolumar dos caudais dos rios e para a potencial ocorrência de novos transbordamentos.
Este risco, aliado ao dos solos saturados pela instabilidade quase permanente das últimas semanas, agravará o risco de cheias, inundações, derrocadas e deslizamentos de terras. Não esqueçamos, porém, o aspeto positivo: haverá água em abundância para a primavera e verão.