Este passeio em Sintra leva-o a conhecer a Rota dos Monges
A atividade está marcada para o próximo sábado e cruzará história, natureza e espiritualidade num dos cenários mais enigmáticos da Serra.
Se anda à procura de um programa diferente, que misture natureza, história e um certo mistério à boa maneira sintrense, há uma novidade que merece atenção. Este mês, estreia-se um novo passeio guiado para dar a conhecer a chamada Rota dos Monges, um percurso especial pela Serra de Sintra que promete ser muito mais do que uma simples caminhada.
E, não, a data não foi escolhida ao acaso. O passeio acontece no dia 17 de janeiro, no próximo sábado, precisamente quando se assinala o dia de Santo Antão.
Já ouviu falar de Santo Antão? Figura central da história do monaquismo cristão, é conhecido, há séculos, como o “pai dos monges”. Foi neste dia, aliás, no ano 356, que morreu o eremita egípcio que abandonou uma vida confortável para se retirar para o deserto, dando origem a uma forma de vida que viria a marcar profundamente a história religiosa da Europa.
Sim, porque, aos 20 anos, distribuiu os seus bens aos pobres e retirou-se para o deserto, à procura de uma vida de oração e penitência.
Um passeio para conhecer a Rota dos Monges em Sintra
É com este espírito que a Lynxtravel, uma empresa dedicada a caminhadas culturais e experiências de descoberta, lança esta rota em estreia.
“Sábado ao pôr-do-sol, o nosso satélite natural estará na fase Lua Nova (quase total escuridão). Com as estrelas sobre a terra, o Monge António será o guia do nosso percurso temático dedicado aos monges franciscanos do Convento dos Capuchos de Sintra”, informam os responsáveis.
“Durante o percurso serão contadas histórias, mitos e lendas de Sintra”, notam. Além disso, e em homenagem a Santo Antão, será “oferecida uma bebida medieval”.

O ponto de encontro é no Convento dos Capuchos, um dos locais mais austeros e simbólicos de Sintra, onde os frades franciscanos escolheram viver em comunhão com a natureza e longe do luxo. A partir daí, o percurso desenrola-se por trilhos antigos, atravessando a floresta mais primitiva da serra, num ambiente que convida ao silêncio, à curiosidade e à imaginação.
“Por aqui já passaram e viveram povos tais como: Celtas, Romanos, Árabes e por fim os Cristãos. À medida que vamos trilhando os caminhos iremos descobrir, passo a passo, o Misticismo da Serra de Sintra, por estreitos e tortuosos caminhos que nos levarão a encontrar o Segredo mais escondido, no meio da natureza: o Tholos do Monge.”
Um percurso imperdível
A caminhada começa ao pôr do sol, pelas 17:30, numa noite particularmente especial: a Lua estará em fase nova, o que significa menos luz no céu e mais estrelas à vista. Ao longo de cerca de cinco quilómetros, e durante aproximadamente três horas, os participantes serão conduzidos por histórias, mitos e lendas ligados à serra, aos monges e às várias civilizações que por ali passaram ao longo dos séculos.
Um dos pontos altos do percurso é precisamente a visita à enigmática anta conhecida como Tholos do Monge, uma sepultura coletiva com mais de quatro mil anos, construída no período calcolítico e reutilizada durante a Idade do Bronze.
Pelo caminho, há ainda referências a episódios mais recentes da história da serra, como o monumento de homenagem aos bombeiros, que recorda o grande incêndio de setembro de 1966. Tudo isto é contado de forma acessível e descontraída, sem pressas, com espaço para perguntas, curiosidades e, claro, para apreciar o ambiente único da serra ao cair da noite.

O melhor é que o percurso tem um grau de dificuldade fácil a médio, adequado a quem esteja minimamente habituado a caminhar. Quanto a preços de inscrição, conte com 10€ para adultos e 5€ para crianças entre os seis e os 12 anos. As inscrições são limitadas e requerem reserva prévia. Pode consultar todas as condições no site da empresa de caminhadas (https://lynxtravel.wordpress.com/2026/01/04/rota-dos-monges/).
A organização reforça ainda a importância de se levar calçado apropriado, água, um reforço alimentar e uma lanterna ou frontal. Claro que também não se pode esquecer da máquina fotográfica. Afinal, não é todos os dias que se percorrem trilhos ancestrais guiados por histórias de monges e lendas antigas.