Esta lagoa não precisa de filtros: é mesmo rosa
Um fenómeno natural único no sul de Espanha transforma esta lagoa num espetáculo cor de rosa que parece irreal, mas que existe mesmo. O melhor é que fica surpreendentemente perto de Portugal.

À primeira vista, parece um truque de edição. Daqueles exagerados, pouco subtis. Mas não: nas Salinas de Torrevieja a água é mesmo cor de rosa, o solo acompanha o tom e o cenário inteiro parece ter saído de um filme de ficção científica. A vantagem é que é mesmo real e fica relativamente perto de Portugal.
Torrevieja situa-se no sul da Comunidade Valenciana, na Costa Blanca espanhola, e é conhecida há décadas pela produção de sal. O que nem toda a gente sabe é que ali se encontra uma das paisagens naturais mais invulgares da Europa: a chamada Laguna Rosa, integrada no Parque Natural das Lagunas de La Mata y Torrevieja.
Um fenómeno com motivo
Ao contrário do que possa pensar à primeira vista, a explicação para esta cor improvável não tem nada de místico. Tudo se deve a um conjunto de microrganismos que adoram ambientes extremos.
A microalga Dunaliella salina, em conjunto com bactérias halófilas, desenvolve-se em águas com níveis de sal muito elevados. Quando a luz solar é intensa e a temperatura sobe — sobretudo no verão — estes organismos produzem pigmentos avermelhados, ricos em beta-caroteno, que acabam por tingir toda a lagoa de tons rosados, por vezes quase fúcsia.
E não, não estamos a falar de pouca coisa: esta lagoa é uma das mais salgadas da Europa, com valores que podem ultrapassar os 300 gramas de sal por litro de água. Para ter uma noção, é uma concentração próxima da do Mar Morto.
Esta riqueza mineral explica não só a cor, mas também o microclima muito particular da zona, frequentemente associado a benefícios respiratórios. Aliás, as lamas do fundo, ricas em minerais, chegaram mesmo a ser usadas tradicionalmente para aliviar problemas de pele e articulações. Contudo, hoje o acesso é bastante controlado.
Não passou despercebido à NASA
A singularidade do local é tal que chamou a atenção até do espaço. Em 2021, uma fotografia das Salinas de Torrevieja, captada a partir da Estação Espacial Internacional, foi destacada pela NASA como imagem do dia.
Apesar do sucesso nas redes sociais, é importante reforçar que o banho é proibido. A preservação deste ecossistema delicado não deixa margem para mergulhos improvisados, mesmo que algumas fotografias na internet sugiram o contrário. A boa notícia é que há várias formas responsáveis (e igualmente fotogénicas) de conhecer a lagoa.
Para isso, pode explorá-la a pé ou de bicicleta, através de percursos guiados que explicam não só o fenómeno da cor, mas também a história da exploração do sal, a fauna e a flora locais. Há ainda um comboio turístico que faz um percurso confortável à volta das salinas, com paragens estratégicas para observação e fotografia. Esta é uma opção prática, sobretudo se viajar com crianças ou se preferir algo mais descontraído. Pode consultar os horários no site oficial.

Se gostar de observar aves, leve binóculos. Dependendo da época do ano, é possível avistar flamingos, que encontram aqui alimento em abundância. O final do verão e o início do outono são especialmente interessantes: a cor da lagoa atinge o auge da intensidade e a paisagem ganha um ar ainda mais dramático.
Aliás, o ‘Sapo’ afirma mesmo que esta é a melhor altura para visitar a Lagoa Salgada. “No final do verão, as cores das suas águas atingem uma intensidade máxima de rosa, chegando até um fúcsia cintilante. De meados de agosto até finais de setembro, a paisagem ganha ainda maior esplendor com a chegada de mais de 2.000 flamingos que aqui vêm para se reproduzir.”
E, claro, que ao visitar as salinas pode (e deve) aproveitar para conhecer o resto do parque natural. A poucos quilómetros fica a lagoa de La Mata, de tom verde-azulado, que cria um contraste curioso entre dois mundos vizinhos. Já para não falar das praias e da possibilidade de fazer passeios marítimos, sobretudo nos meses mais quentes.
“Se estiver por perto, aproveite para explorar outras zonas do Parque Natural de las Lagunas de La Mata y Torrevieja, ou seguir pela costa até localidades como Guardamar del Segura ou até mesmo Alicante, com o seu centro histórico encantador e esplanadas viradas para o mar”, sugere a ‘TravelMagg.
Como chegar?
Chegar lá é simples. O aeroporto de Alicante fica a cerca de 45 minutos de carro e tem ligações frequentes a Portugal. De Lisboa, a viagem de carro ronda as nove horas, para quem prefere ir com calma e fazer paragens pelo caminho. Sem carro, há autocarros regulares entre Alicante e Torrevieja, e na própria cidade é fácil encontrar transporte até às salinas.