De mês “interminável” a escolha inteligente: porque é que janeiro está a conquistar quem viaja

Antes visto como um mês longo e pouco convidativo, janeiro afirma-se agora como a altura ideal para viajar. Saiba como é que se tornou o mês de eleição para os viajantes.

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Quem diria? Janeiro é o novo mês de eleição para viajar. Foto: Unsplash

Se, durante muitos anos, janeiro era tratado como aquele mês de pausa, aquele que parecia que nunca mais terminava — e de que os portugueses reclamavam, porque parecia que o dinheiro não esticava para chegar até dia 31 — agora, a situação parece ter mudado.

2026 está a ser o ano da mudança e da conversão do significado do primeiro mês. Sim, porque de esquecido, janeiro está a tornar-se cada vez mais o favorito dos viajantes.

“Houve um tempo em que janeiro era sinónimo de ressaca financeira e aeroportos desertos. As famílias recolhiam-se após o Natal e o turismo entrava numa espécie de hibernação até à Páscoa. No início de 2026, porém, o cenário mudou radicalmente”, avançam os autores do blogue ‘Volto Já’.

Os aeroportos estão mais cheios do que o habitual

Se ultimamente reparou em aeroportos mais animados logo após o Ano Novo, não está a imaginar coisas. O primeiro mês do ano deixou de ser sinónimo de pausa e passou a ser, para muitos viajantes, uma escolha estratégica.

Mais do que uma moda passageira, trata-se de uma mudança real na forma como as pessoas organizam férias, escapadinhas e até períodos mais longos fora de casa.

Mas, porque é que isso passou a acontecer?

Preços mais baixos e mais margem para escolher

Comecemos pelo argumento que raramente falha: o preço. Depois do pico inevitável do Natal e da Passagem de Ano, a procura por viagens abranda a partir da segunda semana de janeiro.

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Os voos estão cada vez mais cheios em janeiro. Foto: Unsplash

Por saberem disso, e como forma de contrariar, as companhias aéreas e os hotéis ajustam os valores em conformidade. O resultado? Tarifas mais simpáticas, sobretudo em voos de médio e longo curso, e alojamentos a preços bem mais convidativos do que na primavera ou no verão.

Para quem consegue alguma flexibilidade nas datas, janeiro transformou-se numa verdadeira mina de oportunidades.

“Os dados do Air Travel Outlook indicam que, historicamente, a segunda quinzena de janeiro oferece algumas das tarifas aéreas mais baixas do ano”, lê-se no mesmo artigo.

Para quem viaja a partir de Portugal, esta realidade abre portas pouco comuns. Afinal, tornou-se, agora, possível encontrar ligações para grandes cidades europeias — e até para destinos intercontinentais — a preços bastante mais baixos do que aqueles praticados nos meses da primavera.

Menos calor, menos filas, mais cidade

Mas não é só a carteira que agradece. Há também uma questão de conforto — e até de sanidade. Com os verões no sul da Europa cada vez mais quentes e cheios, muitos viajantes estão a inverter a lógica tradicional e a escolher os meses frios para visitar cidades famosas. É a chamada tendência do “Coolcationing” (férias frescas).

Passear em Roma, Barcelona ou Atenas em janeiro significa temperaturas mais amenas, menos multidões e uma experiência muito mais tranquila.

Não se trata de fugir ao inverno, mas de usá-lo a seu favor. O que se perde em horas de praia ganha-se em tempo de qualidade, sem filas intermináveis nem calor excessivo.

“A cidade torna-se mais habitável e o contacto com os locais é mais genuíno.”

O recomeço perfeito para uma nova forma de viajar

A tudo isto junta-se uma mudança profunda no mundo do trabalho. Com o crescimento do trabalho remoto, janeiro passou a ser visto como o mês ideal para recomeços. Muitos profissionais aproveitam o início do ano para mudar temporariamente de cenário, trabalhando a partir de destinos com melhor clima ou melhor qualidade de vida.

“Dados da plataforma Nomad List mostram frequentemente picos de tráfego no início do ano. São profissionais que aproveitam o recomeço do calendário para se mudarem para destinos como a Madeira ou as Canárias, fugindo ao inverno rigoroso do norte da Europa”, notam.

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É o chamado efeito "nómada digital". Foto: Unsplash

Janeiro tem ainda outra vantagem subtil, mas poderosa: psicológica. Viajar nesta altura do ano ajuda a quebrar a sensação de “ressaca” pós-festas e dá um impulso extra às resoluções de Ano Novo.

Em vez de prometer que vai viajar mais “um dia”, começa logo em janeiro.

No fundo, este mês oferece hoje um equilíbrio que outros perderam. Preços mais baixos, destinos menos cheios e um ritmo mais humano. A antiga “época baixa” está a encolher e janeiro deixou definitivamente de ser um mês morto para quem gosta de viajar.

Se anda a adiar aquela viagem à espera do momento certo, talvez valha a pena repensar o calendário. Janeiro já não é apenas o início do ano — para muitos viajantes, é o melhor começo possível.