Um eclipse, um meteoro, uma semente... e a Lua!

O que têm em comum um eclipse, um meteoro e uma semente? Todos eles foram protagonistas no satélite natural terrestre: a Lua.

Alfredo Graça Alfredo Graça 24 Jan. 2019 - 08:18 UTC
O eclipse total da Lua na madrugada da passada segunda-feira foi ainda mais especial devido ao impacto de um meteoro na sua face visível.

Na madrugada da segunda-feira ocorreu o eclipse total da Super Lua, um evento já de si especial, interessante e digno de registo que, de acordo com um vídeo que anda a circular pela Internet, foi ainda mais encantador do que o previsto. Neste vídeo captado pelo Observatório Griffith, pode-se observar aquilo que aparenta ser o impacto de um meteoro na face visível da Lua durante o eclipse total. Como pode ver neste link, é visível um pequeno clarão na superfície da Lua.

Em resposta ao site IFLScience, o astrónomo Jose Maria Madiedo da Universidade de Huelva confirma que “o ‘flash’ foi produzido por um meteoro que se abateu na superfície lunar” e que o evento foi “captado por vários telescópios da rede Moon Impacts Detection and Analysis System (MIDAS)”.

Ainda sobre a Lua

Lembra-se da sonda lunar chinesa que se tornou a primeira a atingir a face oculta da Lua? Aconteceu no início deste mês e os sucessos desta missão não se fizeram esperar: uma semente de algodão germinou em plena sonda, segundo os cientistas do Instituto de Pesquisa de Tecnologia Avançada da Universidade de Chongqing, na China. A semente brotou, de acordo com a equipa, dentro de uma caixa que possuía uma estrutura semelhante a uma treliça.

Quando partiu, a sonda levou várias sementes deste género, assim como batatas, colza, arabidopsis, ovos de moscas-da-fruta, leveduras bem como água, ar e solo. O objetivo seria gerar uma biosfera pequena e simples, que os cientistas nomearam "minibiosfera lunar", capaz de se auto-alimentar, sendo que a única planta que deu resultados até agora foi, de facto, a semente de algodão.

Esta foi a primeira vez que o Homem concretizou a experiência de crescimento biológico na superfície lunar, feito alcançado pela China.

Segundo Xie Gengxin, o cientista que chefiou o projeto, esta foi a primeira vez que os seres humanos conseguiram concretizar experiências de crescimento biológico na superfície da Lua. Isto porque, mesmo tendo já anteriormente a Estação Espacial Internacional cultivado plantas, ainda não tinha germinado nenhuma semente em solo lunar.

Este processo é ainda mais notável pela complexidade que representa dado que a temperatura da Lua varia entre mais de 100 ºC e os -100 ºC. Para tal, segundo o jornal South China Morning Post, a equipa recorreu à criação de um cilindro de alumínio com 18 cm de altura e 3 kg, que conserva as temperaturas entre 1 ºC e 30 ºC, sendo que no entanto permite igualmente, a entrada de luz natural e o providenciamento de água e nutrientes para as plantas. Este recipiente representou uma despesa superior a 10 milhões de yuans, o equivalente a mais de um milhão de euros. A China anunciou a intenção de no próximo ano ampliar a missão até Marte.

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