Porque há temporadas de furacões no Atlântico mais ativas que outras?

Estarão os furacões a surgir mais frequentemente? Com o elevado potencial de tirar vidas e destruir infraestruturas, as tempestades extremas deixam a sua marca. Saiba aqui o que é a Oscilação Multidecadal do Atlântico e como isso pode interferir no surgimento dos furacões!

Alfredo Graça Alfredo Graça 30 Out. 2019 - 23:31 UTC
Imagem do Furacão Florence visto do Espaço em aproximação à costa do Estados Unidos da América.

Para uma dada estação do ano, múltiplas condições oceânicas e atmosféricas, como o El Niño ou a La Niña, influenciam o desenvolvimento de tempestades no Atlântico, o tamanho delas e a sua duração. Desde 1995 que temos vindo a vivenciar aquilo a que os cientistas designam de era ativa ou de elevada atividade para as temporadas de furacões no Atlântico - um fenómeno cíclico natural.

Como se desencadeou isto?

Estudos científicos indicam a Oscilação Multidecadal do Atlântico (AMO – Atlantic Multi-decadal Oscillation) como o elo mais importante da era ativa em que estamos. O ciclo da OMA oscila entre longos períodos, tipicamente de 20 a 40 anos, de fases quentes e frias nas temperaturas do oceano Atlântico Norte. As condições atmosféricas que abrem caminho para a fase quente da OMA podem originar a tempestade perfeita e aumentar a atividade e a força das tempestades no Atlântico. Estas condições dizem respeito às temperaturas mais quentes da superfície do mar, ao aumento da atividade de trovoadas e por último, a mudanças drásticas na velocidade e direção do vento.

Por outro lado, as temporadas de reduzida atividade, ou seja, aquelas temporadas de furacões no Atlântico que são relativamente calmas, estão associadas com a fase fria da OMA. Um fenómeno semelhante ocorre também no Pacífico Oriental que condiciona a frequência e intensidade dos furacões nessa região do globo.

Desde que a era de alta atividade no Atlântico começou em 1995, 17 das últimas 25 temporadas de furacões (incluindo 2019) registaram um número acima do normal da formação de tempestades. Neste período, a bacia do Atlântico foi alvo de uma média de 15 tempestades nomeadas, das quais três a quatro transformaram-se em furacões colossais com ventos de 178 km/h ou mais. Os cientistas continuam a observar atentamente as condições de mudança que podem implicar uma alteração no padrão da OMA, mas o final da era ativa que estamos a viver ainda está a decorrer.

Os custos de uma era de alta atividade

Quando um furacão provoca impacto, acarreta consigo vários riscos letais, incluindo: tempestades, inundações repentinas e ventos fortíssimos. Mas os ciclones tropicais não constituem apenas uma ameaça à vida, eles são verdadeiramente devastadores. De facto, estas tempestades destrutivas são as mais dispendiosas entre todos os desastres meteorológicos e climáticos, com base no NOAA’s National Centers for Environmental Information (em português, Centro Nacional de Informação Ambiental).

Desde 1995, os Estados Unidos da América (EUA) já tiveram de lidar com 34 ciclones tropicais que ceifaram mais de 6.100 vidas (fonte: base de dados NCEP). Em geral, os danos de propriedade e infraestruturas de cada tempestade atingiram ou superaram 1 bilião de dólares, com um custo total de mais de 26 biliões de dólares até agora.

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