As mudanças climáticas estão a acelerar

O período entre 2015 e 2019 deverá tornar-se o período de cinco anos mais quente alguma vez registado. Além do aumento da concentração de gases com efeito de estufa, verificou-se subida do nível do mar, diminuição da extensão de gelo e eventos meteorológicos extremos mais frequentes. Confira aqui.

Teresa Abrantes Teresa Abrantes 15 Out. 2019 - 17:58 UTC
Nos último cinco anos a temperatura média global aumentou mais do que nos cinco anos anteriores, de 2011 a 2015.

De acordo com o relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM) sobre o clima global em 2015-2019, nos últimos cinco anos as concentrações de gases de efeito de estufa na atmosfera aumentaram para níveis recorde. No mesmo relatório é referido que a temperatura média global aumentou 1,1 ºC desde o período pré-industrial e 0,2 ºC em comparação com 2011-2015.

Durante o período de 2015-2019 aumentaram os impactos das mudanças climáticas, que se revelaram através de uma maior subida do nível do mar, da perda de gelo e ocorrência de condições meteorológicas extremas mais frequentes e intensas.

O relatório fornece uma avaliação unificada do estado do sistema terrestre sob a crescente influência das mudanças climáticas, a resposta da humanidade até agora e as mudanças projetadas do clima global no futuro. Destaca ainda a urgência de ações climáticas ambiciosas, a fim de impedir impactos potencialmente irreversíveis. "As causas e os impactos das mudanças climáticas estão a aumentar em vez de diminuir", palavras do secretário-geral da OMM.

Aumento da concentração de gases de efeito de estufa

Segundo a OMM, no período de 2015-2019, verificou-se um aumento contínuo nos níveis de dióxido de carbono (CO2) e outros gases de efeito de estufa na atmosfera, com taxas de crescimento de CO2 quase 20% maiores que nos cinco anos anteriores.

No período de 2015-2019 verificou-se um aumento contínuo nos níveis de dióxido de carbono e outros gases de efeito de estufa na atmosfera.

Dados preliminares de um subconjunto de locais de observação de gases de efeito estufa para 2019 indicam que as concentrações globais de CO2 estão a caminho de atingir ou mesmo exceder 410 ppm (410 partes por milhão) até ao final de 2019. O CO2 permanece na atmosfera durante séculos e no oceano por mais tempo.

Subida do nível do mar

O degelo dos glaciares e das camadas de gelo está a causar uma subida do nível do mar. No período de 2015 a 2019, a taxa de aumento médio global do nível do mar foi de 5 mm por ano, em comparação com 4 mm por ano no período de dez anos de 2007-2016. Este aumento é substancialmente mais rápido que a taxa média desde 1993 de 3,2 mm/ano.

Gelo a diminuir

Ao longo de 2015-2018, a extensão média do gelo do mar em setembro (verão) no Ártico ficou bem abaixo da média 1981-2010, assim como a extensão média do gelo no mar no inverno. Os quatro menores registos para o inverno ocorreram durante os últimos quatro anos. O gelo de vários anos quase desapareceu.

Os valores mínimos da extensão do gelo na Antártida em fevereiro (verão) e setembro (inverno) tornaram-se bem abaixo da média 1981-2010 desde 2016. Em 2017 e 2018, o gelo do verão na Antártida atingiu a menor e a segunda menor extensão alguma vez registada. Em 2017 também foi registada a segunda menor extensão de inverno. A quantidade de gelo perdida anualmente na Antártida aumentou pelo menos seis vezes, comparando o período de 1979-1990 com o de 2009-2017.

Eventos extremos

Mais de 90% dos desastres naturais são consequência de situações meteorológicas extremas. No período de 2015-2019, os eventos meteorológicos mais mortais foram as ondas de calor que afetaram todos os continentes, registando-se novos recordes de temperatura. De acordo com o relatório quase todos os estudos sobre ondas de calor significativas desde 2015 encontraram a marca da mudança climática.

As maiores perdas económicas foram associadas aos ciclones tropicais. A temporada de furacões no Atlântico de 2017 foi uma das mais devastadoras, com mais de 125 bilhões US $ em perdas associadas apenas ao furacão Harvey. No Oceano Índico, em março e abril de 2019, ciclones tropicais consecutivos sem precedentes e devastadores atingiram Moçambique.

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