A nova fronteira tectónica de África: evidências de rifteamento continental na Zâmbia
O rifte do sudoeste de África: como a conectividade com o manto na Zâmbia está a criar a nova Placa San. Saiba mais aqui!

Este estudo revelou evidências geoquímicas inéditas que confirmam a existência de uma nova fronteira tectónica em África, denominada Rifte do Sudoeste Africano (Southwestern Rift of Africa). A investigação focou-se no Rifte de Kafue, na Zâmbia, fornecendo a primeira caracterização geoquímica de fontes termais nesta zona de extensão.
Evidências isotópicas e geológicas
A principal evidência do estudo reside na análise dos isótopos de hélio e carbono recolhidos em fontes termais e poços geotérmicos. Os investigadores detetaram razões de isótopos de hélio entre 0,14 e 0,7, valores que excedem a produção crustal em cerca de oito vezes. Estas descobertas são fundamentais porque as fases iniciais do rifteamento continental são extremamente difíceis de identificar através de sinais superficiais subtis.
Impacto na tectónica de placas
Os dados sugerem que o Rifte de Kafue faz parte de uma zona de falha ativa contígua com 2500 km de comprimento, que se estende desde a Tanzânia, passa pela Zâmbia e Botsuana (Rifte de Okavango), até à Namíbia.

Se confirmada em toda a sua extensão, esta fronteira indicaria a partição da vasta Placa Núbia de uma nova unidade tectónica denominada Placa San.
O estudo compara o estágio do Rifte de Kafue com o mais maduro Sistema de Rifte do Leste Africano (EARS). As assinaturas geoquímicas na Zâmbia assemelham-se às de segmentos jovens do EARS, como o Rifte de Rukwa, caracterizados por uma elevada concentração de azoto e hélio, mas ainda sem o vulcanismo ativo que domina os riftes em estados mais avançados.
Potencial de recursos económicos
Para além da importância científica, estas descobertas destacam um elevado potencial económico para a região. A combinação de fluxo de fluidos do manto, falhas de escala crustal e baixa sismicidade cria condições favoráveis para:
- Energia geotérmica: devido às altas anomalias térmicas e circulação de água.
- Hélio e hidrogénio: a mobilização de gases crustais antigos e a entrada de hélio do manto tornam estas zonas alvos promissores para a exploração de gases economicamente significativos.
Em conclusão, o estudo fornece a primeira prova direta de interação manto-crosta nesta região central de África, reforçando a hipótese de que o continente está a iniciar um processo de fratura que poderá levar, a longo prazo, à formação de um novo oceano.
Referência da notícia:
Karolytė R, Daly MC, Vivian-Neal P, Hillegonds D, Li L, Sherwood Lollar B and Ballentine CJ (2026) The Southwestern Rift of Africa: isotopic evidence of early-stage continental rifting. Front. Earth Sci. 14:1799564. doi: 10.3389/feart.2026.1799564
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