Guia de astroturismo em Portugal: onde tocar o céu em Janeiro
Explore os céus mais escuros de Portugal: um guia de astroturismo com os melhores locais para observação estelar em Janeiro. Saiba mais aqui!

O astroturismo em Portugal representa muito mais do que a simples observação de corpos celestes; é uma mudança de paradigma no setor das viagens que combina o impacto social, económico e cultural com a urgência da conservação ambiental.
Ao transformar a escuridão num ativo, o astroturismo revitaliza áreas rurais e cria economias mais resilientes através da distribuição de visitantes ao longo de todo o ano, combatendo a sazonalidade.
Onde tocar o céu em Janeiro?
Para quem procura observar as estrelas em Janeiro, Portugal oferece destinos de excelência, muitos dos quais reconhecidos internacionalmente:
- Reserva Dark Sky Alqueva: Este foi o primeiro local do mundo a receber a certificação "Starlight Tourism Destination". Situada no Alentejo, a reserva é um exemplo pioneiro de como a proteção do céu pode dar um novo fôlego à cultura local, gerando empregos e atraindo turistas que participam em workshops educativos e sessões guiadas de observação.
- Aldeias do Xisto: Localizadas na região centro, estas aldeias beneficiam de uma orografia que as protege da poluição luminosa do litoral. Em locais como o Geoscope — Observatório Astronómico de Fajão, em Pampilhosa da Serra, a altitude e a pureza do ar criam condições ideais para a contemplação do cosmos.

- Vale do Tua e Vimioso: No norte de Portugal, o Parque Natural Regional do Vale do Tua destaca-se como a primeira área protegida portuguesa certificada para o astroturismo. A região oferece miradouros naturais, como o do Ujo, onde o céu estrelado se funde com a paisagem agrícola tradicional.
- Porta do Mezio (Gerês): Localizado no Parque Nacional da Peneda-Gerês, este "Starlight Stellar Park" promove a valorização do céu como um recurso educativo e turístico, organizando caminhadas noturnas.
A experiência de observação em Janeiro
Observar o céu no primeiro mês do ano exige uma preparação específica.
Por isso, é fundamental o uso de várias camadas de roupa térmica e agasalhos robustos para garantir o conforto durante as longas horas de contemplação.
Além do vestuário, a técnica de observação é crucial. Recomenda-se que os entusiastas permitam que os seus olhos se adaptem à escuridão total durante pelo menos 10 a 15 minutos. Durante este processo, deve evitar-se qualquer luz branca (incluindo telemóveis), optando-se por lanternas de luz vermelha que não prejudicam a visão noturna. Para ajudar na identificação das constelações, ferramentas como binóculos de campo largo e aplicações móveis especializadas são auxiliares valiosos.
Este tipo de turismo não só protege o meio ambiente, como também mantém vivas tradições ancestrais e narrativas mitológicas que acompanham a espécie humana desde o Paleolítico. Em suma, o astroturismo ilumina o caminho para um crescimento inclusivo, protegendo o nosso planeta e ligando as gerações através da herança do céu noturno.
Referências da notícia
Gonçalves, M. (2025). Astroturismo: oportunidades | desafios | exemplos. Apresentação de Webinar. Comunicador de Ciência, RTP.
Azeite Norte. Astroturismo em Trás-os-Montes e Alto Douro: Um guia prático para viajantes. Disponível em: azeiteanorte.pt.
IPDT – Turismo e Consultoria. Astroturismo: Uma forma alternativa de viajar. Disponível em: ipdt.pt.