Astrónomos testemunham um raro nascimento gémeo de planetas no cosmos
Dois protoplanetas, um cinco vezes maior do que Júpiter e o outro dez vezes maior, estão a formar-se perto da jovem estrela WISPIT 2.

Os astrónomos do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre (MPE) testemunharam um evento astronómico raro ao observarem o nascimento de dois protoplanetas em torno da jovem estrela WISPIT 2. A observação foi feita no âmbito do projeto GRAVITY+, uma colaboração internacional liderada pelo MPE, que combina os quatro telescópios do Observatório Europeu do Sul (ESO) num telescópio virtual gigante para observações.
O que é WISPIT 2?
WISPIT 2 é uma estrela de pré-sequência principal localizada na constelação de Aquila. É uma estrela relativamente jovem, com apenas cinco milhões de anos, e está rodeada por um disco de gás e poeira. Os astrónomos estão interessados em estudar esta estrela, uma vez que se estão a formar novos planetas à sua volta, o que nos dá um vislumbre de como se formou o nosso próprio sistema solar.
Em agosto de 2025, um grupo de investigadores das universidades de Galway, Arizona e do Observatório de Leiden descobriu um protoplaneta gigante gasoso maciço no interior do sistema de WISPIT 2. Batizado WISPIT 2b, o protoplaneta tem cerca de cinco vezes o tamanho de Júpiter e está a uma distância cerca de 10 vezes superior à distância entre o nosso Sol e o maior planeta.
Uma série de observações de seguimento levou agora à descoberta de outro protoplaneta, WISPIT 2c, que é duas vezes maior que o WISPIT 2b mas quatro vezes mais próximo do seu Sol que o WISPIT 2b.
Raro nascimento de gémeos
Uma vez que o WISPIT 2c está muito mais próximo do seu Sol, a deteção do seu sinal representa um desafio único. Os investigadores do MPE recorreram ao projeto GRAVITY+, onde o instrumento VLTI (Very Large Telescope Interferometer) foi utilizado para detetar a luz ténue do planeta, apesar de a estrela vizinha ser mil vezes mais brilhante.
“Combinando a precisão interferométrica com a nova ótica adaptativa, conseguimos medir um sinal que antes estava completamente escondido na luz das estrelas”, explicou Guillaume Bourdarot, cientista do MPE, num comunicado de imprensa. “Este é um exemplo claro de como o desenvolvimento de instrumentos astronómicos de ponta leva a descobertas fundamentais.”
No caso do WISPIT 2, foram confirmados dois protoplanetas ao mesmo tempo. “Encontrar dois planetas numa fase tão precoce e ao mesmo tempo é quase como testemunhar um raro nascimento de gémeos”, acrescentou Frank Eisenhauer, Diretor do Grupo de Infravermelhos do MPE. “Isto mostra que os sistemas planetários não se desenvolvem um a seguir ao outro, mas em paralelo - tal como o nosso próprio Sistema Solar em tempos.”