O desafio da reciclagem dos aerogeradores
A transição para a circularidade total: como a reutilização de turbinas desativadas reduz resíduos e impulsiona a inovação arquitetónica. Saiba mais aqui!

A expansão da energia eólica na Europa é vital para a transição energética e a drástica redução da dependência de combustíveis fósseis.
Embora cerca de 90% do peso de um aerogerador seja composto por materiais facilmente recicláveis, como o aço, o ferro e o cobre, as pás e as coberturas superiores, chamadas de naceles, representam um problema bastante complexo.

Estas peças aerodinâmicas são feitas de materiais compósitos muito duradouros, como a fibra de vidro, a fibra de carbono e resinas.
Para dar resposta a este impasse ecológico, a empresa sueca de energia Vattenfall proibiu, desde 2021, o envio destas enormes estruturas para aterros sanitários. Em alternativa, assumiu a vanguarda no setor ao procurar de forma criativa reaproveitar estes gigantes eólicos desativados, alavancando os princípios da economia circular.
De componentes industriais a microcasas sustentáveis
Um dos projetos mais emblemáticos deste compromisso, desenvolvido em parceria com o estúdio de design Superuse, é a transformação de uma antiga nacele, a colossal estrutura que abriga e protege o motor no topo da torre, numa inovadora "microcasa" (tiny house).

Proveniente originalmente de um parque eólico austríaco, a estrutura, com cerca de 4 metros de largura, 10 de comprimento e 3 de altura, escapou ao desmantelamento tradicional e foi convertida num espaço habitável.
Este exemplo demonstra cabalmente como é possível reutilizar peças industriais gigantescas com o mínimo de processamento adicional e baixas emissões, criando soluções arquitetónicas irreverentes e amigas do ambiente.
Novas vidas para as pás e a meta da circularidade
As enormes pás das turbinas estão igualmente a ganhar uma segunda vida, destacando-se em projetos criativos de engenharia civil.
Noutros setores, as fibras de vidro e de carbono extraídas destas estruturas estão a ser aproveitadas para fabricar suportes de painéis solares e até para a produção de esquis alpinos, num projeto conjunto da Vattenfall com a marca EVI Ski e a recicladora Gjenkraft.

Segundo Eva Julius-Philipp, diretora de Ambiente e Sustentabilidade da área eólica da Vattenfall, embora estes impressionantes projetos não resolvam ainda o problema à escala global, assumem uma importância crucial. Servem para que a indústria adquira experiência prática, desenvolva novas aplicações e impulsione o mercado da reciclagem de compósitos.
A meta da empresa é muito ambiciosa: atingir 100% de circularidade para estes componentes até 2030. Enquanto se aperfeiçoam tecnologias avançadas, como a pirólise mecânica, as iniciativas suecas deixam uma mensagem clara: o fim da vida das velhas turbinas passou a representar o início de um novo ciclo sustentável.
Referência da notícia
Symons, Angela. (2026). Suécia: empresa encontra novos usos criativos para turbinas eólicas desativadas.