Mudança de hora 2026 em Portugal: quando é que teremos de ajustar os relógios?
A mudança para o horário de verão está a chegar e é o momento nos começarmos a preparar! Já tem o relógio a postos? Terá de adiantá-lo uma hora. Saiba quando!

Duas vezes por ano, todos os anos, os habitantes de Portugal continental, Madeira e Açores - e de muitos outros países do mundo - têm de ajustar os seus relógios, adiantando ou atrasando uma hora os ponteiros, consoante a estação do ano. É um ato rotineiro, mas que suscita muitas questões e, muitas vezes, debates apaixonados.
Desta vez vamos ‘perder’ uma hora de descanso. Diremos adeus ao horário de inverno, e olá ao horário de verão no último fim de semana deste mês, mais especificamente na madrugada do dia 29 de março - neste ano 2026, a mudança horária ocorrerá nessa data por ser o último domingo do presente mês.
Segundo o Observatório Astronómico de Lisboa (OAL), a mudança para o horário de verão que acontecerá no domingo 29 de março não será a única deste ano 2026. No domingo, 25 de outubro de 2026, se tudo se mantiver como até agora, teremos de ajustar os nossos relógios novamente, regressando ao horário de inverno.
Deste modo, se estiver em Portugal continental ou na Região Autónoma da Madeira, à 01:00 deve adiantar os relógios 60 minutos, passando para as 02:00. Se tiver na Região Autónoma dos Açores, a mudança de hora ocorrerá às 00:00 de domingo dia 29, passando a ser 01:00. O dia 29 de março será, assim, o mais curto do ano, dado que desaparecerá uma hora em todos os relógios.
Porque é que se muda a hora? E porquê nestas datas?
Muito antes das preocupações energéticas do século XX surgiu o conceito de mudança de hora. Foi em Benjamin Franklin que esta ideia teve origem, quando o cientista a apresentou pela primeira vez em 1784. Numa carta recheada de humor enviada para o Journal de Paris, Franklin sugeriu que os parisienses podiam poupar velas levantando-se mais cedo para aproveitar a luz do dia.
Contudo, foi ao longo da Primeira Guerra Mundial que vários países adotaram oficialmente a mudança da hora, incluindo a Alemanha e o Reino Unido, que tinham em mente o objetivo de poupar carvão. Em 1916, Portugal seguiu as pisadas destes países.

E depois de várias interrupções e reintroduções ao longo das décadas, a crise petrolífera de 1973 voltou a colocar este assunto sob as luzes dos holofotes. Portugal, bem como outros países, tomou a decisão de sistematizar a mudança da hora para que o consumo de energia registasse uma redução.
A ideia é simples: ajustar a hora oficial para que esta corresponda melhor à luz natural durante os períodos de atividade humana. Deste modo seria possível reduzir a necessidade de iluminação artificial à noite (hora de verão) e de manhã (hora de inverno). Este facto permite não só poupar energia, mas também reduzir as emissões de CO₂ ligadas à produção de eletricidade.
A escolha do último fim de semana de outubro para a mudança para a hora de inverno e do último fim de semana de março para a mudança para a hora de verão tem como objetivo maximizar a duração da luz solar ao longo dos períodos mais movimentados do dia. O objetivo passa por tomar proveito máximo da luz natural, ao início da noite na primavera e no verão, e ao final da manhã no outono e no inverno.
Mudança para o horário de verão… uma decisão que gera controvérsia. Eis o que defendem os especialistas
Em 2021, a Associação Portuguesa do Sono (APS) explicou que, segundo vários estudos, a abolição da mudança horária e a permanência na hora de inverno "têm efeitos benéficos para a saúde física e psicológica", com "eventual repercussão socioeconómica positiva".
Ainda segundo a APS, o argumento da poupança energética, utilizado diversas vezes para manter as mudanças de horas, "não se tem revelado com peso suficiente para contrariar os efeitos do acréscimo anual de uma hora ao longo de, pelo menos, sete meses do ano".
Deste modo, “a APS defende a adoção permanente do horário de inverno para apresentar mais vantagens, como mais luz natural ao início da manhã, com efeitos benéficos para o ritmo de sono-vigília maior alinhamento com o ciclo natural luz-escuro (maior facilidade em adormecer e acordar, atenuação do jetlag social); melhoria do desempenho profissional e escolar, melhoria da saúde mental, redução do risco de doença física (cancro, diabetes, obesidade, doenças cardiovasculares, doenças neurodegenerativas, problemas de disposição); redução do risco de lesões e vontade); repercussão positiva para a economia".
Referência da notícia
Horário de verão prestes a regressar: relógios adiantam uma hora este mês