Douro em alerta vermelho transborda as margens no Porto e em Gaia

Com o aumento do caudal do rio, as zonas ribeirinhas das regiões do Porto e Vila Real estão sob vigilância. A subida do Tejo também colocou o distrito de Santarém de prevenção.

As águas do Douro entraram esta manhã no bairro de Miragaia, no Porto. Foto: reprodução do Facebook/Miragaia.Porto
As águas do Douro entraram esta manhã no bairro de Miragaia, no Porto. Foto: reprodução do Facebook/Miragaia.Porto

Com praticamente todos os caudais dos rios a permanecerem elevados, o Douro é o que inspira hoje maiores cuidados. O nível de alerta para cheias está no vermelho, tendo as suas águas, esta manhã, transbordado para as margens do Porto e Vila Nova de Gaia.

O rio entrou pelas esplanadas adentro das zonas ribeirinhas nas duas cidades, mas sem causar estragos significativos, segundo a Capitania do Douro.

Os efeitos do mau tempo dos últimos dias ainda se fazem um pouco por toda a região. Cerca de uma dezena de estradas estão cortadas no distrito do Porto após desmoronamentos de encostas, inundações ou quedas de árvores e de postes de iluminação nos municípios de Trofa, Gondomar, baião e Vila Nova de Gaia.

Iminência de cheias e navegação interdita

A probabilidade elevada de cheias para as próximas horas levou a Capitania do Douro a alterar, esta madrugada, o estado de alerta de iminência de cheias, que passou de laranja para o vermelho. A navegação no rio está interdita e foram ativadas medidas restritivas específicas dos planos municipais de intervenção.

A decisão da Capitania do Douro foi justificada como uma medida de prevenção no caso de mais cheias virem a ocorrer próximas horas ou dias. Enquanto os caudais estiverem elevados, o alerta vermelho será mantido e a navegação só será permitida em regime de exceção.

Caudal em fase de saturação e tendência de subida

A elevada precipitação das últimas horas trouxe várias situações de cheias nas margens ribeirinhas do Douro, em Mesão Frio, no distrito de Vila Real. O caudal está a ser monitorizado em permanência, assegura a autarquia, destacando a Zona Fluvial da Rede como a mais afetada pelos efeitos do mau tempo.

O Douro transbordou esta esta manhã, alagando as zonas ribeirinhas de Vila Nova de Gaia. Foto: reprodução do Facebook/Município de V.N. Gaia.
O Douro transbordou esta esta manhã, alagando as zonas ribeirinhas de Vila Nova de Gaia. Foto: reprodução do Facebook/Município de V.N. Gaia.

O município de Peso da Régua, também no distrito de Vila Real, já está, entretanto, a preparar o seu plano de evacuação junto ao Douro. O rio, segundo a autarquia, entrou em fase de saturação e transbordou esta noite, mas sem causar grandes estragos.

Com a tendência de subida, porém, a situação poderá agravar-se no decorrer das próximas horas. O aumento do caudal, no entanto, já era expectável, estando por isso o plano de ação municipal montado há vários dias.

A subida do caudal do Douro causou hoje inundações em alguns municípios de Vila Real, como foi caso de Mesão Frio. Foto: reprodução do Facebook/Município de Mesão Frio
A subida do caudal do Douro causou hoje inundações em alguns municípios de Vila Real, como foi caso de Mesão Frio. Foto: reprodução do Facebook/Município de Mesão Frio

No distrito de Viana do Castelo, o rio Minho também transbordou esta sexta-feira afetando sobretudo a vila raiana de Monção. As águas, neste município, chegaram ao muro das termas novas e alagaram ainda outras zonas, como o parque infantil, o exterior da piscina municipal, o estacionamento do parque das Caldas, entrando inclusive nas caves das termas velhas.

Tejo transborda na região de Santarém

O Tejo, mais abaixo, também está sob vigilância máxima por parte das autoridades. Santarém é, por enquanto, o distrito mais sensível.

Em Vila Nova da Barquinha, o Barquinha Parque encontrava-se esta manhã totalmente inundado e parte da rua do Tejo já tinha sido afetada pela subida do caudal do rio. A perspetiva é que, nas próximas horas, a zona baixa possa vir a ficar inundada.

O nível das águas estava esta tarde a descer, mas a zona baixa da cidade de Constância ainda se encontrava parcialmente inundada. Foto: reprodução do Facebook/ Município de Constância
O nível das águas estava esta tarde a descer, mas a zona baixa da cidade de Constância ainda se encontrava parcialmente inundada. Foto: reprodução do Facebook/ Município de Constância

Em Constância, a subida do Tejo obrigou também a autarquia a acionar, ontem à noite, o plano municipal de emergência. Com o aumento dos caudais do Tejo e do Zêzere, o centro histórico da cidade foi parcialmente invadido pelas águas.

Os militares do Regimento de Paraquedistas de Tancos tiveram de retirar algumas dezenas de moradores das zonas ribeirinhas, apoiando também os lojistas a protegerem os bens e equipamentos dos estabelecimentos comerciais.

No município de Santarém, a autarquia conduziu nas últimas 48 horas a retirada de mais de 250 residentes de povoações ribeirinhas. Ao longo desta manhã, outros 30 habitantes do Reguengo do Alviela foram também transportados para zonas mais seguras do concelho.

A água, ontem à noite, já ultrapassava a altura dos joelhos, segundo contou à Lusa o Presidente da Câmara Municipal de Santarém, Emanuel Campos, revelando ainda que as escolas do concelho não abriram esta sexta-feira para evitar deslocações das pessoas pelas estradas.

O rescaldo das cheias em Alcácer do Sal

Alcácer do Sal, afetada pelas inundações mais graves do país, continua com a baixa da cidade alagada, mas água recuou esta madrugada cerca de dois metros, permitindo à proteção civil municipal contactar finalmente os residentes que se encontravam presos nas suas habitações.

Alcácer do Sal passou ontem por uma severa inundação com vastos prejuízos que vão demorar a reparar. Foto: reprodução de Facebook/Município de Alcácer do Sal
Alcácer do Sal passou ontem por uma severa inundação com vastos prejuízos que vão demorar a reparar. Foto: reprodução de Facebook/Município de Alcácer do Sal

A Marinha e os Bombeiros estão em diligências intensas para retirar os moradores das suas casas. Mais de 200 pessoas foram já encaminhadas para alojamentos locais, residências e hotéis.

Boa parte das habitações está sem eletricidade e a autarquia calcula que a reconstrução de habitações, edifícios públicos, estradas e passeios do concelho vai demorar ainda largos meses.