Douro em alerta vermelho transborda as margens no Porto e em Gaia
Com o aumento do caudal do rio, as zonas ribeirinhas das regiões do Porto e Vila Real estão sob vigilância. A subida do Tejo também colocou o distrito de Santarém de prevenção.

Com praticamente todos os caudais dos rios a permanecerem elevados, o Douro é o que inspira hoje maiores cuidados. O nível de alerta para cheias está no vermelho, tendo as suas águas, esta manhã, transbordado para as margens do Porto e Vila Nova de Gaia.
Os efeitos do mau tempo dos últimos dias ainda se fazem um pouco por toda a região. Cerca de uma dezena de estradas estão cortadas no distrito do Porto após desmoronamentos de encostas, inundações ou quedas de árvores e de postes de iluminação nos municípios de Trofa, Gondomar, baião e Vila Nova de Gaia.
Iminência de cheias e navegação interdita
A probabilidade elevada de cheias para as próximas horas levou a Capitania do Douro a alterar, esta madrugada, o estado de alerta de iminência de cheias, que passou de laranja para o vermelho. A navegação no rio está interdita e foram ativadas medidas restritivas específicas dos planos municipais de intervenção.
A decisão da Capitania do Douro foi justificada como uma medida de prevenção no caso de mais cheias virem a ocorrer próximas horas ou dias. Enquanto os caudais estiverem elevados, o alerta vermelho será mantido e a navegação só será permitida em regime de exceção.
Caudal em fase de saturação e tendência de subida
A elevada precipitação das últimas horas trouxe várias situações de cheias nas margens ribeirinhas do Douro, em Mesão Frio, no distrito de Vila Real. O caudal está a ser monitorizado em permanência, assegura a autarquia, destacando a Zona Fluvial da Rede como a mais afetada pelos efeitos do mau tempo.

O município de Peso da Régua, também no distrito de Vila Real, já está, entretanto, a preparar o seu plano de evacuação junto ao Douro. O rio, segundo a autarquia, entrou em fase de saturação e transbordou esta noite, mas sem causar grandes estragos.
Com a tendência de subida, porém, a situação poderá agravar-se no decorrer das próximas horas. O aumento do caudal, no entanto, já era expectável, estando por isso o plano de ação municipal montado há vários dias.

No distrito de Viana do Castelo, o rio Minho também transbordou esta sexta-feira afetando sobretudo a vila raiana de Monção. As águas, neste município, chegaram ao muro das termas novas e alagaram ainda outras zonas, como o parque infantil, o exterior da piscina municipal, o estacionamento do parque das Caldas, entrando inclusive nas caves das termas velhas.
Tejo transborda na região de Santarém
O Tejo, mais abaixo, também está sob vigilância máxima por parte das autoridades. Santarém é, por enquanto, o distrito mais sensível.
Em Vila Nova da Barquinha, o Barquinha Parque encontrava-se esta manhã totalmente inundado e parte da rua do Tejo já tinha sido afetada pela subida do caudal do rio. A perspetiva é que, nas próximas horas, a zona baixa possa vir a ficar inundada.

Em Constância, a subida do Tejo obrigou também a autarquia a acionar, ontem à noite, o plano municipal de emergência. Com o aumento dos caudais do Tejo e do Zêzere, o centro histórico da cidade foi parcialmente invadido pelas águas.
No município de Santarém, a autarquia conduziu nas últimas 48 horas a retirada de mais de 250 residentes de povoações ribeirinhas. Ao longo desta manhã, outros 30 habitantes do Reguengo do Alviela foram também transportados para zonas mais seguras do concelho.
A água, ontem à noite, já ultrapassava a altura dos joelhos, segundo contou à Lusa o Presidente da Câmara Municipal de Santarém, Emanuel Campos, revelando ainda que as escolas do concelho não abriram esta sexta-feira para evitar deslocações das pessoas pelas estradas.
O rescaldo das cheias em Alcácer do Sal
Alcácer do Sal, afetada pelas inundações mais graves do país, continua com a baixa da cidade alagada, mas água recuou esta madrugada cerca de dois metros, permitindo à proteção civil municipal contactar finalmente os residentes que se encontravam presos nas suas habitações.

A Marinha e os Bombeiros estão em diligências intensas para retirar os moradores das suas casas. Mais de 200 pessoas foram já encaminhadas para alojamentos locais, residências e hotéis.
Boa parte das habitações está sem eletricidade e a autarquia calcula que a reconstrução de habitações, edifícios públicos, estradas e passeios do concelho vai demorar ainda largos meses.