Dos navios ao nuclear: como a energia flutuante está a mudar o mundo
Como as centrais elétricas flutuantes estão a revolucionar o abastecimento de energia costeiro e os desafios legais da tecnologia nuclear marinha. Saiba mais aqui!

As centrais elétricas flutuantes surgem como uma solução para os limites de espaço e o impacto visual das infraestruturas renováveis terrestres.
A ideia teve origem em 1931 com a conversão do cargueiro SS Jacona nos Estados Unidos, tendo-se expandido após a Segunda Guerra Mundial e ganho escala nos anos 1990 para responder às necessidades energéticas de países em desenvolvimento.
Mas afinal quais as frotas das centrais flutuantes?
A frota atual divide-se maioritariamente entre navios geradores e barcaças. Os navios geradores são embarcações autopropulsadas, habitualmente convertidas de cargueiros, como o MV Doğan Bey, que produzem energia em grande escala através de gás natural ou óleos pesados.

Por outro lado, as barcaças não possuem motor próprio e precisam de ser rebocadas. Quando equipadas com painéis solares e baterias, adaptam-se bem a comunidades fluviais e à aquacultura, distinguindo-se das instalações solares flutuantes fixas por poderem ser facilmente relocalizadas.
A energia nuclear flutuante
Como as barcaças solares têm uma capacidade de geração limitada e os navios convencionais utilizam combustíveis fósseis poluentes, a indústria tem vindo a focar-se na tecnologia nuclear flutuante.
Apesar de garantirem um fornecimento contínuo de energia limpa, estas centrais envolvem riscos ambientais significativos, como a gestão do combustível nuclear usado e a possibilidade de acidentes no reator.

O crescimento do interesse internacional nesta tecnologia suscita importantes dúvidas jurídicas sobre se estas infraestruturas devem ser classificadas como navios ou como centrais elétricas.
Subsistem também incertezas quanto à aplicação do Direito do Mar, à definição de responsabilidades em caso de incidentes ecológicos e aos padrões de segurança necessários. Embora entidades como o American Bureau of Shipping já tenham criado diretrizes iniciais, torna-se essencial estabelecer um enquadramento legal e normativo internacional que assegure uma operação segura e eficaz.
Referência da notícia
Tina Soliman-Hunter. (2026). Floating power plants could offer coastal communities a reliable energy source. Here’s how.