Como atrair as novas gerações para a agricultura e a floresta? B-Rural Summit debate renovação geracional no setor
O B-Rural Summit, organizado pela CONSULAI, vai ter lugar no dia 23 de junho, em Lisboa. O objetivo é debater o futuro da agricultura e da floresta em Portugal, colocando no centro da discussão a renovação geracional do setor.

O setor agroflorestal português assume nos dias de hoje “um contributo estrutural para a economia nacional”, tanto na criação de riqueza como na geração de emprego e no equilíbrio da balança comercial.
De acordo com os dados do Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral (GPP) do Ministério da Agricultura, em 2023 o complexo agroflorestal gerou 9,4 mil milhões de euros de Valor Acrescentado Bruto (VAB), representando 5,1% do PIB nacional.
Para lá deste impacto económico direto, o setor assegura 456 mil postos de trabalho, o que mostra bem a sua importância social e territorial em todo o país.
Já no plano externo, as cadeias agroalimentares e florestais registaram exportações de 15,2 mil milhões de euros, o equivalente a 12% das exportações portuguesas, com uma taxa de cobertura das importações de 81,5%.
B-Rural Summit: 23 de junho em Lisboa
Para a CONSULAI, empresa de consultoria líder em agribusiness em Portugal que está a organizar o B-Rural Summit, vai ter lugar em Lisboa no dia 23 de junho, este indicador “evidencia a crescente competitividade internacional do setor” agrícola e florestal.
Apesar disso, a grande questão que se coloca nesta altura é como atrair uma nova geração para a agricultura e a floresta. E como tornar o setor mais inovador, próximo e relevante para os jovens. Esse é, para a CONSULAI, “um dos maiores desafios do país”.
É que, apesar de a utilização de mão-de-obra no setor agrícola ter caído drasticamente nos últimos 30 anos - passou-se de 430 mil trabalhadores a tempo inteiro para 220 mil -, a idade média dos agricultores subiu de 46 anos, em 1989, para 59 anos, em 2023.

Daí a importância do debate em torno da atratividade destes setores para as faixas etárias mais jovens. Uma matéria que vai estar no centro do debate durante o B-Rural Summit, que terá lugar no Hotel Hyatt Regency Lisboa e deverá reunir líderes do setor agroflorestal, jovens empreendedores, especialistas em inovação e outros agentes.
O projeto B-Rural nasce, aliás, para “mostrar que o mundo rural pode ser um espaço de inovação, impacto e oportunidade para as novas gerações”, afirma ainda Rui Almeida.
Idade média dos agricultores: 59 anos
Financiado pela CONSULAI e cofinanciado pela Comissão Europeia, o projeto B-Rural tem também como objetivo criar “pontes entre o setor agroflorestal e os jovens que procuram projetos com propósito, impacto e futuro”.
E Rui Almeida acredita que, num contexto marcado pelo envelhecimento da população agrícola e pela necessidade crescente de inovação e adaptação tecnológica, o B-Rural Summit “será um momento decisivo” para que “novas gerações, novas ideias e novas pontes” se construam para transformar a agricultura e a floresta em Portugal.
No mesmo estudo foi revelado que, no setor agrícola em Portugal se verifica “um envelhecimento contínuo da mão-de-obra familiar”, cuja idade média passou de 46 anos em 1989 para 59 anos em 2023.

Esta tendência, diz a CONSULAI, é transversal a todas as regiões, mas “mais acentuada no Alentejo e no Centro, onde predominam explorações de maior dimensão e gestão tradicional”.
Apesar da modernização gradual que o setor tem demonstrado, o aumento da idade média dos agricultores “evidencia falta de renovação geracional e declínio do trabalho familiar jovem”.
E isso, sublinha a CONSULAI, tem “impactos diretos na capacidade de inovação, sucessão e adaptação às exigências tecnológicas e ambientais”.
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