Super El Niño: nova previsão confirma pico excecional de 3,5°C
Nova rodada de previsões do Instituto Internacional de Pesquisa para o Clima e a Sociedade (IRI) reforça que o pico do El Niño 2026/2027 deve alcançar 3,5 °C e está cada vez mais próximo.

O Super El Niño de 2026/2027 pode atingir uma intensidade excecional, com anomalias de temperatura da superfície do mar (TSM) de +3,5 °C no Pacífico Equatorial, segundo a nova atualização da pluma de modelos do El Niño Oscilação-Sul (ENSO).
Na atualização de outubro, as anomalias previstas aumentaram ainda mais em relação ao mês passado e a média dos modelos reforça o cenário de um pico excecional. A seguir, veja o que mostra o novo boletim do IRI e o que mudou nas previsões em relação à atualização de setembro.
O que diz o boletim de outubro
O boletim de outubro do ENSO, publicado na segunda-feira (19) pelo IRI, indica que o El Niño se aproxima do seu pico de intensidade. Diferente das atualizações anteriores, as previsões agora começam próximas dos valores máximos e apontam para um declínio nos trimestres seguintes.
Outro destaque é o aumento das anomalias previstas por todas as categorias de modelos em relação à atualização de setembro. Tanto a média dos modelos estatísticos (linha verde espessa) quanto a dos modelos dinâmicos (linha rosa espessa) subiram cerca de 0,1 °C a 0,2 °C. Com isso, a média geral, representada pela linha azul espessa, alcançou +3,5 °C de anomalia absoluta na região Niño 3.4.

A nova atualização reforça o cenário excecional já indicado no mês passado, quando os modelos dinâmicos apontavam para um pico desta magnitude. Porém, agora, a elevação também aparece nas previsões estatísticas, fortalecendo a convergência entre as diferentes categorias de modelos.
O boletim também atualiza a monitorazação das condições observadas, que confirmam a intensificação do El Niño. O índice Niño 3.4, utilizado para acompanhar as anomalias de TSM nessa região, registou uma anomalia média de +2,46 °C entre julho e setembro, enquanto o valor mensal de setembro chegou a +2,84 °C.
Mais recentemente, a média semanal centrada a 14 de outubro alcançou +3,3 °C. As anomalias semanais permaneceram acima de +3 °C pela quinta semana consecutiva, evidenciando a intensidade excecional e a persistência do aquecimento.
O que mudou em relação à previsão anterior?
Na atualização de setembro, as curvas dos modelos ainda mostravam uma trajetória ascendente das anomalias de TSM em direção aos trimestres OND (outubro a dezembro) e NDJ (novembro a janeiro), indicando que o aquecimento do Pacífico Equatorial ainda deveria intensificar-se até alcançar o seu pico.

Outra mudança importante está na intensidade prevista. Em setembro, a média dos modelos dinâmicos já alcançava cerca de +3,5 °C de anomalia absoluta, mas a média dos modelos estatísticos e a média geral ainda ficavam abaixo desse patamar.
Quais dados o IRI usa?
A previsão do IRI utiliza a metodologia tradicional de anomalias absolutas da TSM, calculadas em relação a uma climatologia de referência. Esta abordagem difere da metodologia relativa adotada pela NOAA em 2026 para o índice RONI (Relative Oceanic Niño Index), que desconta a anomalia média da TSM dos oceanos tropicais para isolar melhor o sinal do ENSO em relação ao aquecimento de fundo dos oceanos.
A diferença entre as duas métricas pode variar ao longo do tempo, ficando na faixa de 0,5 °C a 1 °C em determinadas condições. Assim, caso a anomalia absoluta alcance um pico de +3,5 °C, a anomalia relativa poderá ficar aproximadamente entre +2,5 °C e +3,0 °C, dependendo da evolução do aquecimento médio dos oceanos tropicais. Em ambas as metodologias, caso o El Niño alcance os valores previstos, irá superar os valores registados nos eventos de El Niño desde 1950.